terça-feira, 5 de março de 2019

São Paulo - Capão Bonito

CAPÃO BONITO



Para aproveitar o fim de semana prolongado, decidimos conhecer a região de Capão Bonito. Duas coisas nos motivaram a isso: os parques estaduais nas proximidades e o fato que todo o litoral e entornos do Estado de São Paulo, Rio e Minas estariam com muita chuva nesse período. Tentamos muito pesquisar, como sempre fazemos, as opções de trilhas e passeios na região, mas a quantidade de dados disponíveis é muito pequena. Então decidimos por reservar um hotel e descobrir as coisas "in loco". Reservamos pelo booking o Hotel Baguassu (link aqui), em Capão Bonito. Optamos pela acomodação "Apartamento", já que havia uma unanimidade de reclamações do tamanho do Standard. A estrada até Capão, vindo por Itu é duplicada todo o trecho, e com vários pedágios, mas pelo menos chegamos antes do que imaginávamos. A cidade de Capão Bonito não é tão pequena. É bem arrumada e sinalizada. Chegamos a noite no hotel e gostamos bastante do quarto. Com dois ambientes e ar condicionado (não split) em cada cômodo. Bom chuveiro também. Como estávamos cansados optamos por jantar no hotel. O restaurante é terceirizado, chamado Avenida do Sabor. Pedimos a Parmegiana de Frango para dois (R$ 64,00) e estava maravilhosa!!!
Quarto com Cama boa (lado esquerdo meio apertado)


Sala com sofá que vira cama caso haja necessidade

Banheiro de bom tamanho e o chuveiro elétrico atendeu, mas fomos no verão!


Dia 1 - Parque Intervales: Trilhas Auto Guiadas/ Cachoeira dos Alves


No sábado acordamos cedo para tentar chegar ao Parque Estadual Intervales antes das 9 da manhã. Tomamos o café do hotel, que era bem simples, com 3 tipos de pães, queijo, alguns frios, algumas frutas, um suco, café, leite e granola. Não havia opção de pratos quentes. Nós atrasamos um pouco e saímos depois do planejado. Seguimos rumo a Ribeirão Grande e lá seguimos placas e pedimos indicação para chegar às entrada do parque. A estrada e a sede do parque não estão mapeadas no Google Maps, mas com placas e apoio local é fácil chegar. Chegando no parque você deve ir à recepção e lá tem um mapa das atrações e uma pessoa que lhe explica o funcionamento. A entrada custa R$ 15,00 e sem guias só se pode percorrer duas trilhas: - Trilha do Lago Antigo - Trilha do Mirante da Anta. Lá conseguimos uma folha com os contatos dos guias credenciados para fazer as demais trilhas. Para pegar os contatos dos guias entre em contato pelo (15) 3542-1511 / (15) 3542-1245 ou reservasintervales@gmail.com. Esses contatos são da recepção do parque, onde também fazem as reservas para hospedagem.
Mapa das Atrações do Parque Intervales
Seguimos então para a Trilha do Lago Antigo, que fica logo atrás da sede. É um percurso que se inicia bem aberto, com uma linda vista do lago, e que depois se embrenha por uma trilha mais fechada dentro da mata.

Lago final da trilha. Uma vista bem linda
Um videozinho para dar a sensação de estar no local 

Em alguns momentos você chega em uma clareira o de se é possível observar duas das pousadas dentro do parque. A primeira estava fechado para reforma, mas eram lindos chalés de madeira e vidro com uma magnífica vista do lago. A outra era a pousada Esquilo, mais normal, de alvenaria. A trilha acaba perto do início e notamos na volta que a saída de água do lago tinha sido canalizada e formava um boa piscina natural. Uma pena o tempo estar fechado e frio!
Algumas coisas interessantes que avistamos na trilha, frutinhas roxas e muros de pedra
Trilha bem demarcada e bem fácil de se passar
Castelo de Pedra em meio a mata
Uma das variadas flores do local
Cruzeiro instalado na localidade
Piscina natural (acima) e canalização da água do lago para a piscina (abaixo)
Uma cascatinha convidativa, não fosse o frio (à esquerda) e um morango silvestre (à direita)

Voltamos à sede e seguimos de carro ao restaurante, já que a trilha do Mirante da Anta começa naquelas proximidades. Compramos um amendoim no restaurante, por garantia. O restaurante serve café da manhã, almoço e jantar. É a única opção dentro do parque, então quem se hospeda lá usa esse serviço. Dentro do restaurante há vários itens a venda, como camisas, bússola, chapéu, souvenir. Também há o aluguel de botas de borracha (R$ 10,00).
Restaurante do Parque
Mais alguns exemplos de belas flores do parque

A trilha começa logo depois da pousada Pica-Pau. Começa bem aberta e plana, mas depois estreita e é só subida. Ao todo foram menos de 1,5km e você chega numa pequena clareira no topo do morro, com placas indicando "Fim da Trilha". Acreditamos que em dias limpos a paisagem deve ser exuberante. No dia que fomos havia ainda uma neblina baixa. Outra coisa que notamos é que estavam iniciando a construção de uma estrutura elevada para observação do mirante, já que a mata estava crescendo, e em breve não se daria para avistar nada (claro que não poderiam derrubar a mata para melhorar a vista).


Estão construindo um mirante suspenso (notem os buracos ao chão), já que a vegetação está alta e bloqueia um pouco do visual
Placa de indicação da trilha

Por trás do mirante e da placa de fim da trilha, há uma continuação mas que não fizemos e não recomendamos que alguém a faça. Quando fecham uma trilha há sempre uma boa razão: depredação excessiva da mata, acidentes fatais ou quase, animais peçonhentos como cobras. Então não se aventurem.


Pousada Pica Pau - Aparentemente deve ser ótimo hospedar nesse local

Voltamos à sede e perguntamos sobre a hospedagem. Ficava R$ 45,00 por pessoa, e é um quarto com banheiro. No quarto não tem frigobar ou qualquer utensílios domésticos. Há uma geladeira no cômodo comunitário. As refeições do restaurante não estão incluídas. O hóspede pelo menos não fica preso dentro do parque, pois mesmo que o parque esteja aberto somente de 08-17hs, a portaria é 24hs e os hóspedes tem trânsito livre. Inclusive se você fez reserva, pode chegar em qualquer horário, até de madrugada que eles deixam a chave na guarita. Sem precisar fazer check out. Para mais informações use os contatos passados mais acima nesse blog. No último dia visitamos os quartos, vide relato mais abaixo. No parque há sinal Vivo na sede, pousadas e até no Mirante. Voltamos do parque para Capão Bonito e chegamos perto das 15hs. Conseguimos almoçar no Bar Avenida , que tinha buffet por pessoa por R$19,90 ou R$28,90 com churrasco. Mas como tinha umas opções boas no buffet, ficamos com  a opção mais em conta  mesmo. Boa comida!!!! 
Búfalo simpático no caminho de volta para Capão Bonito
Após o almoço conversamos com o pessoal do restaurante perguntando quais seria as atrações de Capão ou arredores. Eles não conheciam nada, inclusive só indicaram o Intervales. Assim optamos ir a uma atração que já havíamos visto no TripAdvisor, a Cachoeira dos Alves. Ela existe no Google Maps, porém chegando ao local nos deparamos com um pasto cercado e porteira fechada. Mal dava para parar o carro, já que a estrada era bem estreita. Procuramos sinal de vida, mas só havia vaquinhas pastando. Entramos no pasto e já era possível ouvir o som da cachoeira. Não tinha trilha nenhuma no local, mas facilmente você chega na cabeceira. É uma queda bem bacaninha. Descemos o pasto para tentar chegar na parte baixa. É bem difícil o acesso nas proximidades, já que há um pequeno brejo pra se passar, e depois você tem que ir pelas pedras no leito do riozinho. Ao chegar na parte baixa há uma visão boa da cachoeira. Uma queda bem bonita, contornada por árvores bem grandes. Como estava bem frio, nem nos atrevemos a entrar!!!


Imagens da Cachoeira dos Alves de várias distâncias diferentes
  
Vídeo da Cachoeira dos Alves 


Na volta umas vacas ficar entre nosso caminho e o carro, mas elas logo "vazaram na braquiara" hahahaha Voltamos ao hotel e tentamos contato com os guias, mas só conseguimos reservar a segunda com o Anderson. Estávamos pensando em tomar um banho e sair para comer o famoso "rojão" (leia mais informações aqui), mas o frio falou mais alto e comemos no restaurante do hotel. Dessa vez um capelete (não tão gostoso) e um risoto com filé muito bom! 



Dia 2 - Parque Carlos Botelho


No domingo já acordamos com bem mais "calma", sem pressa alguma já que chuviscava um pouco. Tomamos o café e fomos conversar com o pessoal do hotel sobre atrações nos arredores. Novamente nada. Um deles ainda citou a Cachoeira dos Alves, mas eles mesmos não iam lá há muitos anos (e nós contamos da situação atual). Dessa forma seguimos novamente as poucas dicas que havíamos achado na internet e fomos ao Parque Estadual Carlos Botelho. Esse parque fica mais ou menos uma hora de Capão Bonito, no município de São Miguel Arcanjo e a sede fica logo no começo da estrada parque virando à esquerda. A sede possui uma pequena pousada (mais usada por pesquisadores, porém aberta ao público) e um pequeno museu com animais empalhados. Para ter acesso a esse museu, com explicações sobre o parque, e uma pequena trilha auto-guiada, é cobrado um taxa de R$15,00 por pessoa. Além disso o parque possui inúmeras trilhas que podem ser feitas com um guia local (que pelo menos no domingo ele já estava no parque, sem necessidade de agendamento prévio como no Intervales), que cobrou R$35,00 por pessoa guiada. Nosso guia foi o Alex. Optamos pela trilha da represa com fornos. O responsável pelo Parque nos perguntou se nós costumamos visitar parques, e dada nossa resposta afirmativa, nos presenteou com dois passaportes dos Parques Estaduais de São Paulo. Tratava-se de uma segunda edição gratuita feita para incentivar a visitação dos parques do estado de São Paulo. Bem legal. Já ganhamos nosso primeiro carimbo lá.
Indicação da proteção das nascentes no parque
A trilha pela Mata Atlântica em recuperação (mata secundária), é simplesmente indescritível. Uma mistura de cores, sons e cheiros fantásticos. Muitos sons de aves, um pouco de bugios e, no nosso caso, nenhum avistamento de nenhum animal. Esse parque é bem famoso por abrigar algumas espécies de primatas, um deles que é usado no brasão do parque, o muriqui-do-sul. Nos explicaram que há vários pesquisadores na região, cada um acompanhando uma espécie da região. Há até alguns acompanhando onças pintadas!
Placa do início da trilha dos fornos
Imagens da trilha com uma grande variedade de plantas. Um belo visual
A primeira parte da trilha é comum (feita se você só fizer represa ou represa e fornos). Depois há uma bifurcação que só segue se você for nos fornos. Depois que passamos por essa bifurcação a trilha é um pouquinho mais estreita e bela. Seguimos o curso de um ribeirão onde ficam os vestígios de 5 fornos de tijolos (hoje somente há as laterais, sem o teto) da década de 40, quando se produzia carvão vendido de trem no porto de Santos.
Primeiros dois fornos, ou o que restou deles

Mais imagens da flora na trilha, e um pouco de fauna, com os sapinhos que se escondem no meio das folhas

Segundo o guia, essa era uma exploração de administração russa. Os trabalhadores construíam os fornos, derrubaram as árvores ao redor e produziam o carvão. Depois que não houvesse mais árvores ao redor, moviam os tijolos para outra área e o processo se mantinha. Aparentemente foram mais de 10 anos de exploração de carvão, e por isso as mata atualmente possui muitas árvores de tronco fino (novas) e pouquíssimos exemplares largos. Ainda assim é fantástico observar a regeneração da mata, enquanto as marcas da exploração humana vão sumindo e sendo encobertas pela natureza.
Demais fornos, sendo que alguns deles estão quase sem mais restos, tendo a mata invadindo tudo

Retornamos à bifurcação e seguimos rumo à represa (hoje desativada, mas que na época servia à exploração de carvão). É enorme. Há alguns bancos para contemplação, de onde se pode avistar a mata Atlântica, onde incluíram algumas araucárias a mando de algum chefe antigo do parque, que não se atentou que o clima lá não era propício a essa espécie, segundo nos contaram, resultando em fracas árvores.


Represa desativada. Vejam as Araucárias implantadas na década de 80, mudando o visual
Uma nota, a Cris jura que pegou pulga nos bancos. Realmente há uma infestação de algum inseto que não tivemos certeza absoluta de ser pulga rs. Fim de passeio, fizemos a trilha das bromélias que consistia em um tablado de onde avistamos várias bromélias de todas as formas e cores. Bem bacaninha e fácil acesso. Há bancos para contemplação também. 
Início da Trilha (pequena) das Bromélias

Vários exemplares maravilhosos de bromélias. A trilha é curta mas tem até ponto para se sentar a admirar
Saímos do parque e decidimos andar pela estrada parque, que tem 33km de extensão e alguns pontos de paradas com atrações. Nós só descemos para admirar a cachoeira e o mirante quase ao final. A estrada parque, como as demais, tem um horário de funcionamento restrito, sendo das 6:00 até às 20:00, mas possuem também um belo visual, nesse caso da mata Atlântica!!!

Uma pequena siriema logo depois que saímos do parque
Vista do mirante no final da estrada parque
Pequena cascatinha que se visualiza da estrada
Uma pequena cobrinha que encontramos no chão e a vista de outro ponto da estrada
Depois do mirante, voltamos para o hotel, mas não sem antes experimentar o famoso Bolinho de Frango. Uma especialidade da região que se assemelha a uma coxinha, porém com uma massa a base de milho. Nós paramos na Casa do Bolinho de Frango da Rose. Estava muito bom mesmo!
O famoso bolinho de frango!!!
Seguimos caminho, tomamos banho e fomos jantar na cidade. Hoje provaríamos o rojão!!! Pela internet o único lugar que vimos servir ele era o Café Bar Porthal do Rastro da Serpente.  O lugar é muito legal com uma decoração focada nos vários motociclistas que resolvem se aventurar na estrada que liga Capão à Curitiba, contendo 1200 curvas, como nos explicou o dono do bar!  Adoramos tudo lá, desde o atendimento até a decoração! Pedimos o rojão, que por R$ 50,00 reais foi (bem) servido com fritas e uma salada deliciosamente temperada.

A decoração do lugar é muito legal, tem até uma mesa de bilhar


Lá entendemos o porquê do prato famoso do local ser tão difícil de encontrar. Somente  um açougue de Ribeirão Grande produz o rojão, o Balaios. O dono guarda a receita a sete chaves. Aí quem tem interesse em degustar tem que ligar lá pra encomendar (vi em alguns relatos que um pessoal encomendou o rojão assado mesmo com esse açougue e foram pra lá comer), ou você tem que achar os poucos estabelecimentos que compram o produto para servir em seus restaurantes.  De qualquer forma, é delicioso mesmo o tal rojão. Um kafta suíno, basicamente, mas com temperos deliciosos!
O famoso Rojão!!!

Acompanhado de uma saladinha
Adoramos muito o Porthal do Rastro da Serpente. Ótimos preços e atendimento nota 1000. Saciados, fomos dormir rapidinho porque na segunda iríamos fazer alguma trilha guiada no parque Intervales.




Dia 3 - Parque Intervales: Grutas


A segunda amanheceu com um tempo ótimo, céu limpo e bem mais quente. Tomamos o café rapidinho. Uma pena termos que sair cedo porque nesse dia serviram um café de rei, com várias opções de frutas, sucos, frios. Havia pratos quentes também. Com certeza fizeram isso para agradar o povo da festa que pernoitou no hotel. Bom, aproveitamos o que deu e saímos rumo ao Parque Intervales. Em 40 minutinhos chegamos lá. Chegamos ao parque 8:30 em ponto, fomos na recepção pagar a entrada com a Mara. Ela avisou que o guia já estava na sala dos guias a nossa espera. Fomos lá para conhecer o Anderson e descobrir qual trilha faríamos. Depois de algumas explicações optamos por conhecer as atrações: - Gruta Jane Mansfield - Gruta do Fendão - Gruta da Mãozinha.  Segundo o guia, saindo naquele momento e fazendo os trechos possíveis de carro, voltaríamos por volta de 15hs. Acertamos com ele o valor de R$150,00. Eles cobram R$ 120,00 para 2 atrações e R$150,00 para 3 atrações. Pegamos o carro então e seguimos por uma estrada de terra muito boa por 5 minutos. Estacionamos na entrada da trilha (ainda bem aberta e que cabe a passagem de um carro) e seguimos a pé. Esse início já é muito bom, imerso na mata Atlântica, mesmo sendo bem ampla a estrada. O Anderson já começa o trabalho de guia explicando da fauna e flora da região. Logo no começo ele mostra uma árvore que eles a chamam de Pau de Sangue. Ela já tem várias marcas de facão das apresentações anteriores e ganhou mais uma quando o Anderson tirou uma pequena lasca e mostrou que a seiva era vermelha intensa, como sangue. Ele pegou um pouco e passou na sua mão, friccionando e mostrando que virava uma espécie de pomada. Segundo ele, ela tinha propriedades cicatrizantes. Um Cicatricure natural kkkkk. Bem interessante mesmo. Adentramos alguns metros depois por uma trilha bem mais estreita. Aí sim a imersão à mata se faz presente. A trilha é agradabilíssima. Uma mistura de cheiros, texturas, cores, sons. Impossível não imaginar isso daqui 500 anos atrás....
Variedade de plantas de todas as formas, como os caules desenhados dessa espécie acima
Até uma planta que elimina essa espuma

Tudo ia muito bem, com mais explicações, como as listras no tronco da samambaia, pequenos sapos que se camuflagem, até que quase tivemos um acidente. O guia pisou sobre uma pequena Jararaca. Por sorte foi próximo à cabeça e não houve como a pequena atacar. Além disso ele calçava uma bota de borracha grossa. Nós avisamos da cobra e o Anderson rapidamente nos pediu para ficarmos onde estávamos e retirou a cobra do caminho com um pau. Mesmo pequena ela era sinistramente bela. Cores lindas e uma bela escama. Realmente prende a atenção de quem olha, quase que hipnotizado rs. Depois de retirada da trilha, seguimos alguns metros adiante onde continuaríamos pelo leito de um pequeno riacho. Enquanto nos preparávamos o guia pediu licença pois ele queria voltar ao ponto que encontramos a Jararaca e espantá-la bem mais longe, já que haveriam outros turistas passando por lá. Alguns minutos depois seguimos riacho acima. Nesse ponto não se pode evitar de se molhar, já que é perigosíssimo andar somente pelas partes emersas das pedras. O ideal é mesmo molhar pés e canelas e pisar onde for melhor. A trilha pelo riachinho não tem 100 metros e logo se chega na boca da Gruta Jane Mansfield.
Corregozinho que leva à entrada da gruta
  
Entrada da gruta vista por fora e por dentro
A entrada da gruta é, digamos assim, "raiz". Você precisa se agachar bem, joelhos no riacho e depois fazer alguns contorcionismos (nada tão difícil pra ser sincero), e aí chega-se na parte que dá pra ficar em pé. Essa gruta é fantástica. Nós já estivemos em várias grutas com vários espelhotemas, mas o mais interessante dessa gruta é que sua "decoração" ainda está em formação. Vários pontos com pequenas estalactites com água descendo e aumentando-a milímetros ao ano. Fantástico.
Espelhotemas da gruta Jane Mansfield
Dentro da gruta em si não é tão complexo a caminhada, somente alguns pontos que é preciso usar os braços para subir. Quase todo tempo você fica com os pés no riachinho. Pudemos também observar alguma vida lá dentro. Vários morcegos, aranhas, opiliões.
Uma pequena cobrinha que encontramos na gruta
Opilião típico das grutas

Bem ao meio da foto há uma plantinha tentando viver com o pouco de luz da gruta

Chegamos ao ponto final da exploração, depois de uma meia hora. Nesse momento fizemos um blackout muito bom. Sem luz e só com o som do riacho que por ali passava. Maravilhoso. Voltamos pelo mesmo ponto já que essa gruta tem uma só entrada. Quando chegamos na parte externa do riacho nos deparamos com excrementos e pegadas de uma Anta. Ela passou logo depois que entramos na caverna. Ainda ficamos um pouco por lá para tentar ouvir ou ver alguma coisa, mas a bichinha já tinha ido mesmo. Fizemos toda trilha de volta (sem sinal de jararacas dessa vez), e pegamos o carro rumo a outro ponto do parque. Paramos em um lugar aberto na beira da estrada e logo nos embrenhamos mata adentro. Novamente uma trilha muito boa de se fazer. Mais informações passadas sobre a flora local, como uma pequena planta cuja raiz é a cânfora ou arnica, não entendemos muito bem. A Gruta do Fendão tem uma dois pontos de acesso, então não voltaríamos por onde entramos. Assim deixamos nossas mochilas em um ponto em comum da trilha, e seguimos pela abertura que seria nossa entrada. Essa abertura é bem mais ampla que a Janes Mansfield. Há até uma corda para auxiliar na descida. Ela também tem o teto bem alto, magnífico. Há também um riacho passando por ela, e o mais interessante é um local com inúmeros  cascos de crustáceos. Alguns deles já fundidos com a rocha calcária. Segundo o guia uma prova que haviam humanos na região há pelo menos 5000 anos. Fantástico.
Morcegos carnívoros da gruta
Cascas de crustáceos que indicam o hábito alimentar dos antigos homens que viviam nessa região. A foto mais abaixo mostra as cascas solidificadas já ao chão da caverna, indicando uma bela passagem do tempo



Essas teias à direita são na verdade secreções de um pequeno inseto que utiliza para pegar os poucos insetos voadores, já que essas linhas são pegajosas

Essa gruta era bem mais constituída, já não tinha há tantos elementos em formação, mas tinha travertinos fantásticos. Também tinha uma fauna mais rica. Havia paredes que você jogava a luz e avistava várias aranhas pelo brilho de seus olhos. Uma nota: essas aranhas ficam nas paredes que não tocamos, não oferecem quaisquer riscos à visitação, mas ajudam a adornar ainda mais a visita. Avistamos também morcegos (segundo o guia Carnívoros), mas não ligavam pra carne humana rs. A exploração dessa gruta também tem vários trechos de pé na água e pontos de uso dos braços para equilibro e subidas. Um ponto somente existe uma pequena, reforço: pequena subida. O Anderson estava lá sempre mostrando o caminho mais fácil e nos puxando/erguendo se preciso. Em dois pontos há uma claraboia de onde se pode avistar a parte externa, a mata, o céu. Estávamos lá bem perto do sol a pino, então a vista era magnífica. Amamos.
Imagem fantástica do sol na fenda. Que bom que chegamos lá na hora certinha!


Vídeo da fenda com uma quedinha de água, simplesmente fantástico


 
Uma das várias fendas na gruta


Uma cascata dentro da gruta, o mais legal é que o caminho continua subindo ela!
Água fluindo do teto à esquerda e uma pequenina mostra de vida á direita


Mais um aracnídeo da gruta
São várias formas de vida vivendo em um ambiente muito inóspito, com um inseto e um pequeno vegetal!



Saída da gruta do Fendão

Em um ponto mais escondido fizemos novamente um blackout. Dessa vez o silêncio reinava, já que  não havia água passando... 40 minutinhos depois de entrar por um lado, saímos por outro. De lá subimos um pouco por sobre a saída do Fendão e já chegamos na entrada da Gruta da Mãozinha. Essa gruta é bem pequena. De curiosidade há o teto que possui argila em quase toda seu teto. Muitos são orientados pelos próprios guias a passar no rosto, dizendo que são "medicinais". Um ponto curioso dessa prática é que essa argila se fixou no teto da Gruta quando a água ainda atingia seu teto, digamos a 100 milhões de anos. E a não ser que haja um dilúvio real, a argila retirada do teto nunca mais será reposta. Ou seja, seu teto tende a ser de pedra exposta como as demais grutas.
Entrada da gruta da mãozinha
Alguns metros adiante e há uma formação de estalactites que dá o nome da gruta. Cinco dedos despontam do teto parecendo uma pequena mão.
Formação de estalactites que dá o nome da gruta
Saímos da gruta e pegamos a trilha para encontrar nossas mochilas (segundo o guia nunca houve qualquer tipo de furto, então se pode deixar os pertences tranquilamente). Seguimos a trilha rumo ao carro, já com saudades e gostinho de quero mais. Chegamos na recepção por volta de 16hs.  Nós despedimos do Anderson, agradecendo pelo maravilhoso dia. Fomos novamente à recepção e pedimos para a Mara se ela poderia nos emprestar as chaves de algum quarto das pousadas para conhecermos. Fomos na Pica pau, que tem uma área comum com lareira, um salão inferior com geladeira e os quartos são bem confortáveis. Os quartos 11 e 12 possuem uma vista pra mata, bem legal. Os colchões são de espuma, mas de forma geral tranquilo. O banheiro parece bom também. Já nos imaginamos ao pé da lareira e curtindo o som da natureza!!!! Essa pousada é em frente ao restaurante e tem uma piscina.
Entrada da Pousada, as imagens da fachada estão no início desse post


Área comum com TV, lavado e até lareira! Haja frio!

Disposição das camas de dois quartos diferentes

Banheiro bem confortável e vista da sacada do quarto com cama de casal

Vista do quarto de camas de solteiro e detalhe da toalha de mão!

Abaixo da pousada outra área comum com geladeira. Não há fogão ou microondas


A pousada Esquilo é bacana também. Lá encontramos um hóspede (talvez pesquisador) que nos alertou que lá é frio!!! A estrutura é análoga: área comum, geladeira, quartos igualmente mobiliados. Ela fica mais "dentro da mata"
 Área comum da pousada. Na parte superior há TV e lareira e na parte de baixo uma pia de geladeira.

Disposição das camas em dois quartos dessa pousada


Banheiro e armário, que são bem padrão em todas pousadas


Vista da sacada dos quartos dessa pousada

 Já a pousada Onça Pintada é mais cara de Hostel, com quartos contendo beliches. Não vimos a área comum, mas havia outra estrutura ao lado que no mapa dizia ser o Centro de Convivência.


Quarto com dois beliches, um armário e detalhe do banheiro
Vista da parte lateral da pousada
Lembrando que para reservas entrar em contato COM MUITA ANTECEDÊNCIA pelos telefones: (15) 3542-1511 / (15) 3542-1245 ou reservasintervales@gmail.com.

As pousadas Lontra e Capivara, até março de 2019, não estavam disponíveis para alugar. Segundo relataram houve uma grande obra de reformas que já estão concluídas há algum tempo, porém ainda não houve a instalação do mobiliário que já está estocado. Com isso já se passou mais de ano sem que essas pousadas estivessem disponíveis par locação. Devolvemos as chaves e voltamos para Capão Bonito com muita vontade de voltar!!!

De volta ao hotel tomamos banho e fomos jantar, PIZZA!!! Achamos uma pizzaria e comemos uma pizza de frango e marguerita. Boazinha e bem barata, chamada Pizzaria Vitória. Voltamos ao hotel, arrumamos nossas coisas e dormimos. Na 3a feira tomamos café cedinho e voltamos de viagem já pensando quando iríamos nos hospedar dentro do parque Intervales! Vai ter volta!!!!

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